IMPORTANTE!


Caros leitores,

A intenção deste blog é a de disponibilizar informações sobre Farmacologia e Interações Medicamentosas direcionadas aos profissionais de saúde e estudantes, assim como é também um espaço aberto de leitura aos interessados no tema. O conteúdo aqui disponível não possui caráter educativo e, assim sendo, não há responsabilidade pela conduta dos leitores de posse de qualquer informação retirada do blog.
Não há incentivo à automedicação, à refutação de tratamentos ou conduta médica. É importante que cada leitor tenha o discernimento sobre a utilização que faz das informações que adquire, de modo que aquele que causar transtornos a terceiros deverá responder por seus próprios atos.

Sejamos conscientes!

Captopril x Diclofenaco




Captopril é um anti-hipertensivo que age por inibição da enzima conversora de angiotensina (ECA).
Diclofenaco (sódico/potássico) é um anti-inflamatório não-esteroide (AINE).

INTERAÇÃO: A administração de diclofenaco em pacientes hipertensos que fazem uso contínuo de captopril pode produzir alterações na pressão arterial, o que ocorre devido à redução da eficácia do anti-hipertensivo. Além disso, há também a possibilidade de esta associação de fármacos causar prejuízos à função renal, especialmente se o tratamento anti-hipertensivo é combinado com um diurético.
O ajuste na dose pode ser necessário a fim de preservar a função renal e manter a PA sob controle. Qualquer sintoma desagradável deve ser relatado ao médico, possibilitando medidas que irão tornar o tratamento mais seguro.

Nifedipino x Piroxicam




Nifedipino é um antagonista do cálcio utilizado no tratamento da hipertensão arterial e da angina.
Piroxicam é um anti-inflamatório não esteróide (AINE) que atua por inibição da COX.

INTERAÇÃO: O paciente hipertenso em tratamento com nifedipino que precisar receber piroxicam estará sujeito à elevação de sua pressão arterial, sendo importante a aferição a fim de verificar se há necessidade de ajuste na dose do anti-hipertensivo.
De modo geral, a associação entre AINEs e anti-hipertensivos tende a reduzir a eficácia do segundo grupo farmacológico, causando eventuais dificuldades no controle da PA. Este fato exige maior cuidado e avaliação caso a caso, para que se tenha conhecimento dos fatores de risco atribuídos a cada paciente.

Atenolol x Clonidina




Atenolol é um anti-hipertensivo antagonista seletivo de receptores beta-1 adrenérgicos (beta-bloqueador seletivo), indicado também no tratamento de angina e arritmias.
Clonidina é um anti-hipertensivo que age por estimulação dos receptores alfa-2 adrenérgicos, produzindo queda da resistência vascular periférica.

INTERAÇÃO: O efeito hipotensor aditivo resultante da interação entre estes dois fármacos pode produzir sintomas desagradáveis no paciente, decorrentes da redução significativa da pressão arterial e diminuição da frequência cardíaca. Parece não haver diferença no resultado de interação da clonidina com beta-bloqueador seletivo (ex: atenolol) ou não seletivo (ex: propranolol).
Se o paciente de posse desta prescrição não conseguir dar continuidade ao tratamento, recomenda-se reduzir progressivamente o beta-bloqueador e posteriormente a clonidina, a fim de evitar a ocorrência de hipertensão de rebote com a retirada súbita dos fármacos.

Fenitoína x Claritromicina




Fenitoína é um anticonvulsivante que age no controle da hiperexcitabilidade neuronal diminuindo o influxo de sódio.
Claritromicina é um antibacteriano da classe dos macrolídeos, que atua por inibição de síntese proteica microbiana.

INTERAÇÃO: A administração destes dois fármacos pode causar redução dos níveis séricos da claritromicina, reduzindo sua eficácia e facilitando o surgimento de resistência bacteriana. Por consequência, o controle da infecção instalada poderá ser dificultado. Outro problema identificado nesta interação é a elevação dos níveis da fenitoína, expondo o paciente ao maior risco de apresentar efeitos desagradáveis conhecidos do anticonvulsivante, tais como ataxia, nistagmo e confusão mental.

Hidroclorotiazida x Glibenclamida




Hidroclorotiazida é um diurético tiazídico que atua no túbulo distal reduzindo a reabsorção de íons.
Glibenclamida é um hipoglicemiante do grupo das sulfoniluréias, que age nas células beta pancreáticas estimulando a secreção de insulina.

INTERAÇÃO: Os diuréticos tiazídicos podem causar distúrbios metabólicos, dentre os quais a hiperglicemia e glicosúria em pacientes diabéticos ou suscetíveis ao desenvolvimento desta patologia. Assim, a hidroclorotiazida tende a reduzir a eficácia da glibenclamida e outros hipoglicemiantes. É conveniente que o paciente diabético tenha o monitoramento glicêmico sempre que fizer uso de diurético tiazídico. O ajuste na dose do hipoglicemiante oral e da insulina, quando for o caso, talvez seja necessário.

Azitromicina x Antiácidos


Segundo informa a bula do fabricante, o tratamento com azitromicina e antiácidos não afeta a biodisponibilidade total do antimicrobiano. No entanto, pode haver redução de até 25% no pico de concentração plasmática, alterando portanto de alguma forma a eficácia do tratamento.
A própria bula sugere que, se este é o caso, a azitromicina e o antácido não devem ser administrados simultaneamente.
Incluindo aqui também a fitoterapia, existe uma planta medicinal que possui indicação no tratamento de gastrites e úlceras gástricas, que é a espinheira santa. Esta planta, segundo consta em literatura científica, possui flavonóides que agem por inibição de bomba protônica e bloqueio de receptores histamínicos H2. Desta forma, seu uso deve também der evitado simultaneamente com a azitromicina.

Crataegus oxyacantha x Digitálicos



Crataegus oxyacantha é um sedativo do SNC, encontrado em formulação de medicamentos fitoterápicos ansiolíticos. Possui ação também sobre o intestino e coração;
Digitálicos, como a digoxina, são glicosídeos cardíacos indicados no tratamento de arritmias e insuficiência cardíaca congestiva. Influenciam os fluxos dos íons sódio e cálcio no músculo cardíaco e assim proporcionam aumento da sua contratilidade.


INTERAÇÃO: O C. oxyacantha proporciona estimulação parassimpática e, assim, efeito cardíaco bradicardizante. Esta característica o torna incompatível com o uso de digitálicos, que atuam como cardiotônicos. 
A informação acima pode ser encontrada em bula de medicamento fitoterápico que contenha em sua formulação o C. oxyacantha. 
O interessante desta interação é alertar para o fato de que os fitoterápicos também possuem ação farmacológica importante e que devem ser usados criteriosamente, ao contrário do que alguns ainda pensam. Ouve-se dizer que "ah... é natural, então tudo bem". Tudo depende do caso em questão, portanto vamos procurar médicos e farmacêuticos para orientações!